20/02/2015

indigo

everything goes from raspberry red
to deep down under
indigo blue

this immense roller coaster continuously
straining my breath     and simultaneously
forcing the air out of my lungs in shouts
into the void

(is this void devoid of your voice
or can I listen to you in my dreams?)

I hadn't felt so safe for so long
I’d forgotten how it felt
to believe in the arms put around me

I forget how we fell into place
and I wonder if we could ever fall out
once more    strangers

(is there somewhere outside
of this world where we can stop
on our journey to nowhere    anywhere?)

I feel scared
and this is what I was afraid of
how can I love without fear?

14/02/2015

apaixonaste-me, e agora?

o teu cheiro regressa-me e assombra-me
e então pergunto-me se
todas as paixões são habitadas pelo cheiro
de quem as domou

o teu toque deixa saudades
mas por costume volta    e revolta
tudo em mim
como bem-vinda tempestade
como maldita poesia

o teu olhar encosta suavemente    por momentos
e depois eletrifica-me
e então há luzes a explodir
e então há sóis que reacendem
e então há só este espaço-nós entre tu e eu

damos as mãos
encontramo-nos em lábios que se provam
e mal acredito na sorte grande de te ter aqui
de ter em mim
de te saber meu por enquanto

por quanto tempo ficas?
e torço os dedos para que digas
que hoje ficas de vez

31/12/2014

Novo ano, novo eu

Não, o ano novo não vai automaticamente fazer com que uma pessoa mude por completo. Mas não deixa de ser uma oportunidade nova para a própria pessoa se mudar aos poucos. O peso deste marco ajuda-a a retirar dos ombros o peso de águas passadas e ganhar coragem para ver no futuro não uma repetição do que já foi, mas antes novas possibilidades para agir e ser de outra forma.

Por um lado, o lema “ano novo, vida nova” tem que ser olhado não com pensamento mágico, mas com a responsabilidade necessária a quem está comprometido com a mudança. Por outro lado, só pode ser visto à luz do perdão: podemos falhar mesmo quando estamos a trabalhar por sermos melhores – é, aliás, inevitável que falhemos. O que importa é que não desistamos, ainda que, apesar de, não obstante e mesmo assim. Essa é a primeira e principal mudança a fazer.


Que nos saibamos dar, a nós mesmos, segundas, terceiras, centésimas e infinitas oportunidades. E que saibamos dá-las também aos outros – que tenhamos por objetivo, para este novo ano e para os próximos, colocar o ceticismo de lado quando estivermos a lidar com a humanidade dos outros. Que saibamos encorajar, exigir, responsabilizar até – mas não desalentar. Nunca desalentar.