21/12/2014

dos balões de ar quente e outras ideias

eu vejo o sol por vezes quando chove
eu nunca sei de que lado da cor acordou o mundo
não decido se o vento é afinal doce ou salgado

eu sou trapezista amador do coração
sabedoria é saber que a soma
de todas as alegrias e tristezas
sabe a melancolia

eu já acreditei em contos de fadas e finais felizes
eu já acreditei em contos de terror e finais fatídicos
descobri que a mistura de ambas as cores
dava um roxo escuro muito bonito

eu sou debatente amador de ideias
porque ideias são luzes     porque ideias são mapas
porque ideias são os significados
de que revestimos a vida
quando é inverno e não queremos que ela adoeça

nunca decido se é afinal destino ou acaso
ou talvez para além dos dois esteja a atitude
e essa seja uma ideia que eu possa usar
para me aquecer quando neva no florido
da primavera do que sinto

eu acredito     isso sim
(e mais certezas são excesso de peso
nesta montanha russa incontornável)

em balões de ar quente e
na libertação das almas
pelo Amor

15/11/2014

espuma

o mundo é
os sóis de todos os dias    o mundo é
as praias que habitamos

os azuis dos céus e dos oceanos
a valsa dos ventos e das vidas
o agridoce das despedidas
e de novos começos

esperamos até hoje para
sermos o que somos
e nos tornarmos no que nos
tornamos    mas
ainda não acabamos

somos espuma    nas
marés dos tempos encontramo-nos
e afastamo-nos

jamais eternos    sempre etéreos
em perpétuo movimento    até que
num suspiro dissolvemos    e amanhã
recomeçamos

08/11/2014

o futuro nunca é como o imaginamos

somos um povo de mãos cerradas
acreditamos em rédeas    em comandos     em pilotos
em poder

acreditamos em planos meticulosamente desenhados
uma arquitetura da vida baseada em
fórmulas matemáticas daquilo que tem que ser

acreditamos em caixas e caixotes    e rótulos e
categorias
queremos um mundo organizado sob as
diretrizes do nosso desejo

planeamos    assentamos    desenhamos    escrevemos
queremos e queremos e queremos
é isto que eu sou e é isto que há-de ser

e achamos que os outros são apenas
aquilo que deles imaginamos

e achamos que nós somos apenas
aquilo que de nós próprios
sabemos e conhecemos e esperamos

entramos em crise se não for
se não somos
se não chegamos

idealizamos tudo
idealizamos todos
idealizamos o mundo e depois
ficamos frustrados

a realidade não se regula pelas normas
da nossa vontade

a vida não se desdobra nos ritmos
dos nossos planos

o futuro nunca é como o imaginamos
e ainda bem