03/01/2011

Tempo

Tempo, que és eterno e volátil.
Que me roubas o doce momento,
Que alongas a minha ânsia frágil.

Tempo, que és como o mar,
Num perpétuo vaivém de ondas.
Vem, e vai, vem, e vai, vem…

Tempo, que não te deixas ficar!
Que me obrigas a andar,
Andar, andar, andar, andar!
E não me deixas nunca parar…

E quando preciso que te sumas,
Quando quero que te vás,
Paras, alongas-te, ficas,
Estendes-te pela areia fora.

Ó Tempo, que és condição de tudo!
Que trazes movimento ao mundo!
Que trazes amargura ao poeta!
Que trespassas o momento como uma seta!
Que me tiras a liberdade,
E ofereces somente ansiedade…

Tempo, que vens e vais.
Que sempre corres e nunca mudas.
Sempre dinâmico, sempre estático,
Sempre volátil, sempre eterno.

Tempo, que me roubas este doce momento,
Que me deixas no desalento
De hoje não ser ainda
Amanhã.

10/12/2010

No céu colorido

Não sou,
nem quero ser,
explosão súbita
desse fogo-de-artifício
que surge fugazmente
e que se remete,
estrondosamente,
de novo ao anonimato.

Lá longe, na floresta,
sou antes fogueira acesa,
que crepita, brandamente,
em coro com o vento.

Sou aurora boreal,
que, certa da sua beleza,
surge, calmamente,
numa noite ao relento.

Natal

Chega, mais uma vez,
O Natal.
Abri, pois, as portas
Aos que vêm de longe!
Abri as portadas,
Para que possais observar
O Presépio do Céu,
Representado pelas Estrelas!

Abri as janelas!
Partilhai o cheiro
Das rabanadas,
E da aletria,
E da lareira acesa
Com quem passa!

Partilhai o bacalhau,
E as prendas,
E as decorações!
Abri os vossos corações!
Dai o Calor
Dos braços abertos,

E recebereis
A Vida Maior.