Mostrar mensagens com a etiqueta Escola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escola. Mostrar todas as mensagens

01/04/2011

Sou o futuro (Estudante)

Toca o despertador.
Nunca há tempo.
Quero tudo,
tudo menos trabalho.

Corro pela rua fora,
já chega de atrasos.
Chega! Mas só
mais hoje…

Quero tudo.
Não me importo
com nada.
Procuro sempre
alguma coisa.
Finjo que não sei,
ser estudante
é o melhor trabalho:
quando se trabalha,
recebe-se.
Falta-me alguma coisa.
Tenho tudo.
Falta-me tempo.
O que é tempo?
Já não sei…

Estou em todo o lado.
Vou sempre a correr,
Já não estou aqui.
Já não estou ali.
Já não estou.
Sou o futuro.
O futuro de quem?
O meu está cheio de erros.

Não se erra quando
não se sabe?
E eu não sei.
Não sei, nem tenho tempo
para descobrir.

Será sempre assim?
Quando vai haver tempo?
Quando vai haver paz?
Quando vou poder parar?

Mas parar é morrer.
E eu gosto da vida.
Essa corrida desenfreada
por entre o saber,
o conhecer,
o descobrir.

É uma escola.
E todos somos alunos.
E todos erramos.
Mas quem corre,
sempre alcança.

01/07/2010

Para a nossa professora (de português) preferida!

Um poema que, a pedido da minha turma, escrevi para a nossa professora de português. É baseado na Proposição d'Os Lusíadas.
Obrigada, stôra Bininha, por tudo! :)


As lições e as aulas dadas
Pela incrível stôra lusitana,
Sobre as matérias nunca dantes estudadas,
Por entre os versos da Obra Camoniana,
Em leituras e explicações esforçadas
Mais do que prometia a força humana,
Ensinou à malta distraída
Mais do que sobre a matéria, sobre a própria vida;

E também as memórias gloriosas
Destes anos que foram passando,
Ocasiões essenciais e preciosas
Que fomos agasalhando,
Experiências valiosas
Que, de quando em vez, vamos lembrando:
Cantando espalharemos por todo lado,
Se a tanto nos ajuda o grande talento apresentado.

Saudades profundas vamos sentir
Das lições de português “aborrecidas”,
Dos berros que a stôra nos fazia ouvir,
Do engrandecimento que trouxeram às nossas vidas.
Relembraremos o que nos fez exigir
De nós próprios, das nossas mentes “entretidas”.
Agradecemos as horas connosco dissipadas,
E despedimo-nos com ternura e amizade partilhadas.

11/12/2009

Sei o quão imperfeito és,
Meu prédio amado,
Sei de cor as tuas falhas.
Se de sol o peito me enches,
Logo com vento me ralhas.

Sei, contudo, porque assim
O quiseste,
Sei a razão de todo o defeito:
Dá à nossa relação
Algo de mestre,
Traz humanidade ao teu jeito.

Vejo que o nosso tempo
Se esmorece.
Mas das mãos
Não me escapará.
Entre nós, o pôr-do-sol
Não acontece;
É um novo começo
Que se dá.

Nesta despedida desajeitada,
Fica meu breve adeus.
Não te devendo nada,
Muitos dos meus sucessos são teus.

Sei o quão bondoso és,
Meu amigo,
Sei de cor todo
O teu ser.
E se crescer me fizeste,
Te digo,
Muita mais vida
Verás florescer.

11/09/2009

04/11/2009

"Todos nós guardamos na lembrança episódios da nossa vida que nos fizeram felizes."

Mais uma vez, apresento a composição do meu mais recente teste de português, sendo o tema o referido acima. Deixo agora que as palavras falem por si :)

   Enroscada nos lençóis quentes e pesados, próprios do Inverno que já se insinuava nas noites geladas, pedia a minha amável mãe que me contasse uma história. "Ora, certa vez..." começava ela.
   Com os seues calorosos braços a envolverem-me, criava um fantástico conto improvisado, demonstrando a criatividade que sempre invejei. O seu entusiástico tom de voz prendia a minha atenção até ao momento em que, exaustos, os meus pequenos olhos cediam e se cerravam. E, com um sorriso inocente, adormecia.
   Fascinada com o hábito nocturno que, sorrateiramente, alimentava a minha imaginação, certa noite, pedi à minha contadora de histórias que invertessemos os papéis. Então, confiante da minha própria capacidade de criação, dei início a um incrível conto de princesas e bruxas, de guerreiros e dragões, surpreendida pela sinceridade que imprimia em cada palavra e inventando novos factores que cativassem a minha ouvinte.
   Lutava por me manter desperta, contudo, no meio de tanta emoção, as pesadas pálpebras levavam a melhor. E, com um sorriso inocente, adormecia.

19/10/09

19/09/2009

Inspirado na obra A Saga, de Sophia de Mello Breyner

Escrevi esta composição também para a aula de Português. A tarefa era elaborar uma das cartas que Hans, a personagem principal, mandou aos seus pais. Não creio que possa compreendida na sua íntegra, se o leitor não conhecer a história, portanto recomendo o livro Histórias da Terra e do Mar, para quem puder e o quiser ler.

Índico, 19 de Setembro de 1950

    Querida família,
    Perdoem-me por não ter escrito ultimamente. Os trabalhos têm sido múltiplos e duros e o tempo perde-se no ar, como um leve sussurro. Tenho-me esforçado por concretizar o meu sonho: regressar a casa como capitão de um navio. De facto, capitão já sou. Hoyle, o inglês que me acolheu, proporcionou-me uma óptima educação, da qual até o Pai se orgulharia, e fez-me capitão de navio e homem de negócios.Porém, é a segunda parte deste meu desejo que falho em realizar; a parte mais importante.
    Hoje, navego no Índico. Descobri os búzios mais belos, rosados e semi-translúcidos. Neles, escuta-se o pacífico silêncio do mar, aquele que se ouve no promontório. Embora esse silêncio traga até mim a alegria de casa, a alegria de ser amado, traz, também, a dor de lá não poder regressar, a saudade que me enche o coração dum silêncio que não é feliz, mas sim sofredor e angustiado, de tão frio e desprovido de amor. A minha única vitória seria poder regressar a casa. Daria tudo para retornar a Vig, retomar a minha antiga vida, outrora repleta de amor, esperança, sonhos...
    Peço-te, meu Pai, acolhe-me, mais uma vez, em tua casa, em nossa casa, e perdoa-me pelos meus pecados, pois não sou mais do que uma criança errante.

Cumprimentos saudosos,
Hans

Declaração Universal dos Direitos Humanos - a Liberdade

Escrevi esta composição num teste de Português. O tema era o Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direito...". Mais tarde, durante a correcção, apercebi-me que o que escrevi não era bem o que era pedido, contudo, continuo a achar que foi das vezes em que me senti mais inspirada durante um teste :)

    Quando vimos ao mundo, todos somos livres, dignos e iguais, em termos de direitos. Se isto é verdade, como será que acabamos tão diferentes, indignos e impuros?
    No início da vida, temos todos os mesmos direitos. Nascemos com a dignidade intocada e com as almas livres. Contudo, a partir da idade em que começamos a tomar as nossas próprias decisões, temos a oportunidade de escolher os nossos caminhos e, muitas vezes, tomamos o errado. Talvez, porque aparentemente, é o mais fácil. Talvez porque é o mais rápido. Todavia, a verdade é que, com cada caminho errado, somos um pouco menos dignos e a nossa alma, um pouco menos livre. Caímos na armadilha da ambição, da ganância, e, quando reparamos, a nossa vida já não é nossa. Desistimos de muito pelos nossos sonhos e, o que realmente importa, fica perdido pelo caminho. É isto que temos de evitar. De acordar um dia e não sermos nós. E é por isso que tomar o caminho correcto é importante.
    É verdade que nascemos livres, e é livres que temos de nos manter. Os caminhos certos não significam apenas sermos uma boa pessoa; significam sermos uma pessoa - nós mesmos.