01/07/2010

Para a nossa professora (de português) preferida!

Um poema que, a pedido da minha turma, escrevi para a nossa professora de português. É baseado na Proposição d'Os Lusíadas.
Obrigada, stôra Bininha, por tudo! :)


As lições e as aulas dadas
Pela incrível stôra lusitana,
Sobre as matérias nunca dantes estudadas,
Por entre os versos da Obra Camoniana,
Em leituras e explicações esforçadas
Mais do que prometia a força humana,
Ensinou à malta distraída
Mais do que sobre a matéria, sobre a própria vida;

E também as memórias gloriosas
Destes anos que foram passando,
Ocasiões essenciais e preciosas
Que fomos agasalhando,
Experiências valiosas
Que, de quando em vez, vamos lembrando:
Cantando espalharemos por todo lado,
Se a tanto nos ajuda o grande talento apresentado.

Saudades profundas vamos sentir
Das lições de português “aborrecidas”,
Dos berros que a stôra nos fazia ouvir,
Do engrandecimento que trouxeram às nossas vidas.
Relembraremos o que nos fez exigir
De nós próprios, das nossas mentes “entretidas”.
Agradecemos as horas connosco dissipadas,
E despedimo-nos com ternura e amizade partilhadas.

Antecipação

No silêncio,


Pneus sob o alcatrão;

Pés sob o passeio,

Na noite.



O Rio,

O Mar,

O Vento,

O que importa?



Na antecipação,

Tudo perde o esplendor

Em contraste contigo.



Por fim, a tua voz chega e passa.

Volta o teu silêncio.

Cria-se a memória.

08/05/2010

Numa folha quase abandonada

Uma folha em branco,
pousada sobre a mesa,
como que abandonada.

Que lástima!

Que a folha receba, acolha as lágrimas.
E, mesmo depois delas secarem,
se deixe ficar sulcada pela sua memória,
guardando uma dor que nunca foi minha.

Que lástima!

Que a folha não guarde a felicidade.
Que apenas banhada pelo sol,
semi-translúcida,
se deixe atravessar pelo sorriso bondoso.

Que lástima!

Que, depois da luz, depois do sorriso,
depois da alegria e da felicidade,
só fique o branco.
O branco da paz.

Então, meu amigo, se vires a folha
pousada, quase abandonada, sobre a mesa,
não acredites no que vêem os teus olhos.

Pois a alegria foi grande, enorme,
universal.
E não coube na folha branca.

E, assim, o sorriso foi também
grande, enorme, universal,
para abarcar tamanha alegria.

Ou, talvez, fosse uma gota de água,
que, apesar de simples e pequena,
é indestrutível.
Ou, antes, mutável.
Que, apesar de simples e pequena,
é mundo, é vida, é tudo.
Talvez.

Por isso, meu amigo, se vires a folha
pousada, quase abandonada, sobre a mesa,
vê, com o teu coração, o branco que ficou,
depois de, iluminada pela luz do sol,
eu a ter usado
para ver, do outro lado,
o sorriso que é teu.